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A primeira de várias novidades que planejamos para 2020 está no ar: a primeira versão da nossa API de negociação! Com ela você pode construir robôs para automatizar as negociações de compra e venda de Bitcoin. Acesse aqui a documentação.

Reposta da chamada ao endpoint meta, mostrando os endpoints disponíveis.

A API ainda está em fase Beta, portanto podem ocorrer problemas e ela pode sofrer alterações num futuro breve. Se não quer inconveniências, espere mais um tempo pela versão estável.

Bibliotecas

E junto com a API, lançamos também bibliotecas para facilitar a vida de quem desenvolve em NodeJS ou Python. Tudo gratuito e open-source. Em nosso GitHub, são as biblioteca biscoint-api-node e biscoint-api-python.

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Robô de arbitragem?

O Biscoint é a única corretora do Brasil que permite ao usuário realizar arbitragens com uma única conta. Isso porque o Biscoint é um marketplace de corretoras, e eventualmente o preço de compra em uma se torna menor que o preço de venda em outra.

Já era possível arbitrar pela interface web (e até alguns usuários hackers já tinham construído robôs pra automatizar as operações pela web). Agora que o Biscoint disponibiliza API, é possível que usuários com o conhecimento necessário construam robôs de arbitragem que operam de forma eficiente, rápida, e 24 horas por dia.

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E pra quem quer se aventurar um pouco mais, lançamos um robô de arbitragem de referência, para uso recreativo, e para servir de ponto de partida para a implementação de robôs mais sofisticados.

Não é necessário ser desenvolvedor para rodar o robô de referência, basta seguir as instruções detalhadas na página do projeto, também open-source e gratuito. Mas atenção, não opere valores significativos com esse robô!

Vale notar também que oportunidades de arbitragem são raras e muito disputadas, portanto costumam durar poucos segundos. Então pode ser que seu robô passe horas, ou mesmo dias sem executar arbitragens.

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Quando lançamos um produto, já estamos trabalhando no próximo. E possivelmente até no próximo próximo.

Tim Cook

Enfim, venda. E depósito de BTC. Com a venda, que estava restrita a poucos usuários, e o depósito de BTC mais rápido do Brasil – creditado com apenas 1 confirmação – fechamos o corpo fundamental de funcionalidades: depósito de Reais e Bitcoin, saque de Reais e Bitcoin, compra e venda.

Mas isso não é tudo. Aumentamos a eficiência de nossa alocação de capital e corretoras, e isso nos permitiu aumentar os limites operacionais. A partir de hoje o valor máximo de uma compra individual passa de R$5.000,00 para R$10.000,00. E a venda individual máxima, 0,20 BTC. Os demais limites permanecem os mesmos, e você pode realizar várias operações individuais consecutivas.

O Biscoint tem a compra e venda mais rápida do Brasil. Mesmo que você não tenha saldo no Biscoint, você consegue comprar até R$2.000,00 pré-aprovados e tem 24 horas úteis para pagar. E se quiser vender, ou fazer uma compra maior, basta depositar bitcoins, e com apenas uma confirmação, o valor fica disponível para venda ou como garantia para uma compra maior (1,5 vezes o valor em reais dos bitcoins depositados). Se precisar sacar os fundos, basta esperar completarem 6 confirmações da rede.

Crie agora uma conta e complete a verificação de seu cadastro, e esteja pronto para aproveitar as oportunidades do mercado rapidamente com o Biscoint Buy.

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Widget de preço do Biscoint

Use o widget do Biscoint para deixar seu público informado sobre o melhor preço de Bitcoin no Brasil em tempo real.

Seu público foi mordido pelo bichinho das criptos, e dá umas escapadas do seu site pra ver o preço do Bitcoin em outro lugar? Que tal então mantê-los cativos, dando a eles o melhor preço do Bitcoin no Brasil em tempo real?

Com a inclusão de um código simples, você embute um mostrador de preços no seu blog ou site, ou até mesmo no meio de um blog post como fizemos abaixo:


Quem usa WordPress ainda conta com a conveniência de um plugin que torna trivial a inclusão do widget do Biscoint. É só baixar o arquivo .zip da última versão e instalar o plugin no seu WordPress, e uma nova opção vai aparecer na sua seção de Widgets, como se vê abaixo:

E mais, o plugin, além de gratuito, é open-source. Acesse a página do plugin no GitHub para instruções mais detalhadas de uso.

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o que afeta o valor do Bitcoin - Biscoint

A nova versão do Biscoint está cheia de novidades, e marca o início de um novo ciclo para o comparador de preços favorito do Brasil 😉

Para os visitantes assíduos, o Biscoint pode ter parecido um lugar pacato em 2018.

Usuário do Biscoint em 2018

Mas nos bastidores uma história bem diferente estava se desenrolando.

Time do Biscoint em 2018

Com importantes adições à equipe, estivemos trabalhando energizados em uma série de novidades e melhorias. É sobre isso que falaremos nesse post. Com pressa?

Acesse o Biscoint 2.0!

Curioso? Então segura firme, que é bastante coisa bacana.

Primeiro, as novidades mais pedidas:

Índices

O Bitcoin é negociado em diversos países, e em relação a várias moedas nacionais diferentes. A moeda com maior volume de negociação de bitcoins, disparado, é o dólar, e por essa razão o preço do Bitcoin em dólar acaba sendo um pivô, e os preços do Bitcoin em outras moedas orbitam ao redor dele.

Também é verdade que, no longo prazo, há uma tendência de arbitragem dessas diferenças de preço de modo a fazê-los convergir. Ou seja, se o Bitcoin estiver relativamente barato em reais, alguém vai comprar bitcoins usando reais, depois vendê-los por dólares, e então vender os dólares por reais novamente, apropriando-se no final de um lucro de arbitragem.

Saber se o Bitcoin no Brasil está relativamente barato ou caro pode ser uma informação útil para quem está decidindo comprar ou vender.

E o Biscoint agora traz um indicador chamado Dólar Bitcoin, que torna fácil avaliar quão caro ou barato o Bitcoin está.

Um percentual verde e negativo indica que o Bitcoin está relativamente barato no Brasil. Mas não tome suas decisões baseando-se apenas nisso, pode acontecer de o Bitcoin ficar semanas, às vezes meses, relativamente barato ou caro, mas diferenças maiores normalmente tendem a prevalecer por menos tempo.

Widget

Se você mantem um site ou blog, que tal manter seu público sempre a par do melhor preço de Bitcoin do Brasil, em tempo real?

Essa é a proposta do Widget, disponível gratuitamente na nova versão do Biscoint. Você pode inclusive embuti-lo no meio de um blog post, como fizemos abaixo:


Quem usa WordPress ainda conta com a conveniência de um plugin que torna trivial a inclusão do widget do Biscoint.

E mais, o plugin, além de gratuito, é open-source. Acesse a página do plugin no GitHub para instruções mais detalhadas de uso.

Design Renovado

Usuários antigos terão uma surpresa. Esperamos que uma surpresa positiva. Fazemos destaque para as seguintes mudanças:

  • Design mais compacto permite ver mais informações sem precisar rolar a página. Ah, e agora você não precisa digitar um preço pra começar a ver o ranking, ele já vem pré-carregado com a consulta de R$1.000,00.
  • Novas pistas visuais de apoio à decisão de compra
    • Os demais colocados no ranking mostram a diferença percentual contra o menor preço
    • Nas pesquisas em que o usuário informa o valor em Bitcoin, mostramos a diferença em reais contra o melhor preço pra tornar explícito quanto o usuário vai pagar/receber nas outras corretoras.
  • Animações visuais dão uma noção melhor da atividade do mercado
    • As mudanças no ranking das corretoras agora são mais fáceis de perceber;
    • “Bleeding” mostra as mudanças de preço absoluta, e a cor dá pista de se a mudança de preço foi favorável (verde) ou não (vermelho);
    • Animações de mudança de preço.

Conta pra gente o que achou lá no Spectrum do Biscoint!

Aplicativo Android

Usando o novo aplicativo do Biscoint, você tem acesso a uma experiência com melhor performance, e economiza seus dados de internet já que o aplicativo não precisa ser baixado da internet a cada acesso, como ocorre quando você acessa o Biscoint pelo navegador do celular.

Apoiadores

A caminhada, até aqui, foi de sinergia e crescimento, para o Biscoint, para os usuários e para as corretoras. E isso nos motivou a dar alguns passos em direção a um crescimento sustentável.

Nasceu disso o programa Apoiadores do Biscoint, que permite que as corretoras contratem exibição aprimorada de suas marcas nos resultados do comparador de preços. Acessando o Biscoint você poderá distinguir – e prestigiar – as corretoras que mais diretamente contribuem para a existência dos nossos serviços.

Estamos decididos, contudo, a nos mantermos como um portal de informações neutro e idôneo, e o ranking de preço não está à venda.

O Biscoint recebeu apoio financeiro de boa parte das corretoras brasileiras, o que vai nos ajudar com os custos de infraestrutura e a manter os serviços básicos do Biscoint gratuitos para a comunidade brasileira. Nosso muito obrigado a todas as corretoras apoiadoras.

Otras Cositas

O Biscoint foi reescrito do zero. Lançamos as fundações pra crescermos saudáveis, e pra escalar, rápido. Nem saberíamos enumerar todas as mudanças feitas, e abaixo está o resultado de um esforço de menção honrosa.

Melhorias de Performance

Fizemos progresso significativo no que tange a performance do site em geral:

  • O tempo de carregamento (e a quantidade de dados) foi significativamente reduzida.
  • Enorme redução no consumo de banda contínuo, o que é vantagem especial para usuários mobile.
  • Trocamos o sistema de internacionalização, e agora as traduções são imperceptíveis (como deveriam ser).

OrderBooks

Foi criada uma página que te dá acesso aos livros de ofertas das corretoras em tempo real. Para usuários avançados, pode ser uma mão na roda.

Variadas

  • O Biscoint agora detecta e relata rapidamente sempre que a API de preço de uma corretora está offline ou não respondendo;
  • Vários bugs corrigidos, e possivelmente vários outros introduzidos dos quais ainda não temos conhecimento ;p

Limitações

Desabilitamos, na nova versão, provisoriamente, as seguintes capabilidades:

  • Log-in e registro estão desativados. Mas vamos reabilitar isso nas próximas semanas.
  • Anúncios (banner) também temporariamente desativados. É por pouco tempo, prometemos!
  • A compra fracionada foi desabilitada. A verdade é que poucos usuários utilizavam esse recurso, e ainda precisamos encontrar uma maneira escalável de entregar isso no novo engine de cálculo de preços do Biscoint.
  • Desabilitamos alguns países, e algumas línguas. Em compensação tornamos muito mais fácil adicionar novas regiões e corretoras.

Novidades a caminho

  • Em breve vamos lançar os destaques de corretoras, que permitirão que elas adquiram uma visualização destacada de seu resultado (sem comprometer a posição no ranking).
  • Altcoins: já está no forno o suporte à comparação de preço de altcoins! Priorizaremos aquelas que são negociadas no maior número de corretoras brasileiras.
  • Compra instantânea: como alguns poucos já devem ter notado, estamos entregando muito lenta e cuidadosamente a versão beta de uma nova funcionalidade. Vamos falar em mais detalhes sobre isso no futuro, mas por hora é suficiente dizer que permitirá ao usuário comprar Bitcoin das corretoras por meio do Biscoint, e com confirmação de depósito instantânea.

Fique antenado em nosso blog para futuras atualizações!

E não se esqueça de nos dizer o que achou no Facebook e no Twitter (mencionando @Biscoint em ambos os casos). Estaremos de olho.

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Por Andreas M. Antonopoulos, tradução e adaptação de palestra dada em 03/12/2016 no Coinscrum {MiniCon}, ocorrido no Imperial College em Londres.

aantonop

Hoje eu quero falar sobre “guerra monetária” e a neutralidade do Bitcoin na guerra monetária.

Provavelmente você já me ouviu dizer, já por bastante tempo agora, que eu acreditava que uma das primeiras aplicações que nós veríamos no Bitcoin teriam a ver com remessas internacionais, e aplicações transfronteiriças como importações e exportações, porque essas são áreas onde há uma quantidade de fricção no sistema financeiro tradicional. Então sistemas como Bitcoin, que são muito mais flexíveis, podem criar oportunidades, especialmente oportunidades para pessoas menos privilegiadas ao redor do mundo, especificamente imigrantes fazendo remessas internacionais em que pagam quantias extravagantes pra transmitir por meio de canais tradicionais como o Western Union.

Acontece que eu estava errado. E não é a primeira vez. E nem a última, vai acontecer de novo. Mas vamos ver por quê eu estava errado.

E é aí que fica interessante. Bitcoin não existe no vácuo. Bitcoin é uma moeda e um sistema de pagamentos que existe num mundo altamente competitivo de finanças internacionais, que responde por trilhões de dólares em pagamentos, todo ano, em 194 países.

E e então, enquanto nós ficamos desenvolvendo belas aplicações para o Bitcoin, algo está acontecendo, que eu acho que vai mudar a trajetória de adoção do Bitcoin. Tempos muito empolgantes nos esperam adiante.

O que aconteceu nos últimos dois anos é que nós agora estamos vendo uma guerra monetária em larga escala, que começou pequena logo após a crise financeira de 2008, e foi ganhando tração, e essa guerra monetária vai mudar a trajetória do Bitcoin.

Algo que aconteceu fora do Bitcoin vai mudar como o Bitcoin vai se instalar. E essa guerra monetária tem bilhões de pessoas como reféns, sendo jogadas de um lado pro outro como peões em um jogo político, um jogo geopolítico.

Então, vou dar os nomes de alguns países pra ver se vocês percebem algo em comum: Grécia, Chipre, Espanha, Venezuela, Argentina, Brasil, Índia, Turquia, Paquistão, Ucrânia.

O que esses países têm em comum?

Sim, pessoas maravilhosas e boa comida, mas que também, atualmente, estão metidas tanto em guerras monetárias doméstica como internacional. As pessoas desses países são reféns dessa guerra monetária.

Se você estiver prestando atenção às notícias ultimamente, provavelmente você sabe que, nas últimas cinco semanas, na Índia, com menos de 4 horas de aviso prévio, o primeiro ministro Modi anunciou que as duas cédulas de maior denominação, a de 500 rúpias e a de 1.000 rúpias, não seriam mais “legal tender”, não seriam mais válidas. E deixariam de ser válidas em 4 horas. Assim, removendo 88% do dinheiro em espécie em circulação, num país onde mais de 95% de todas as transações se dão com dinheiro em espécie, onde 60% da população não tem conta bancária, e onde 25% da população não tem identidade com a qual abrir uma conta bancária.

Na minha opinião, isso vai ser visto, no futuro, como um desastre natural, que não foi natural. Totalmente criado pelo homem. Um desastre humanitário que vai se desdobrar no próximo ano, e que vai ter um impacto imenso na Índia.

O efeito imediato provavelmente será a perda de 2 a 4% do PIB do país. Mas o efeito borboleta, à medida que vemos setores inteiros da economia indiana entrarem em paralisia, porque os empregadores não conseguem pagar empregados, porque pessoas não conseguem comprar comida, não conseguem pagar por cuidados médicos, cuidados com saúde, porque não conseguem transacionar de forma nenhuma.

Tem sido um desastre absoluto no curto prazo, e será um desastre continuado no longo prazo.
Não se engane. Esse é um experimento que está sendo conduzido em 15% da humanidade como cobaias. Se esse experimento for bem sucedido – não em termos de como essas pessoas saem dele, mas em termos de se os objetivos do governo são atingidos – esse experimento será repetido.

Será repetido em muitos países. Da mesma forma que o experimento dos resgates a bancos por confisco em Chipre foi exportado pra outros países, e esses experimentos estão acelerando.

Há uma guerra global em andamento ao dinheiro em espécie. Estamos naquele ponto da história que está na mira, na visão dos governos mundiais, erradicar, de uma vez por todas, o dinheiro em espécie.

Este, que é a forma definitiva de dinheiro pessoa a pessoa, transparente e privado, que permite a indivíduos transacionarem localmente dentro da comunidade, agora está sendo erradicado em favor de transações digitais, em plataformas que permitem vigilância, controle, confisco e taxas de juros negativas.

E tudo isso virá logo em seguida, tão logo o dinheiro em espécie não for mais parte do panorama.

Essa é a esperança deles.

E se Deus quiser, vocês se juntarão a mim pra arruinar esse sonho.

Mas há uma outra guerra monetária em andamento, e essa é uma guerra monetária internacional. É aquela em que nação se volta contra nação usando o dinheiro da bandeira, sua moeda nacional, como um instrumento de guerra comercial, pra inclinar a balança comercial e erodir a dívida nacional, em países que estão sofrendo enormes pesos de dívidas que eles não têm esperança de jamais pagar.

Então, se você é um governo, e você tem dívida mensurada em bilhões ou trilhões de dólares, qual a melhor forma de pagar essa dívida? Aumentando o padrão de vida e produtividade até que você cresce a ponto de minimizar a dívida, ou confiscando as poupanças e aposentadorias da classe média, destruindo uma geração de trabalhadores, e fazendo-os pagar através de um imposto oculto, através de inflação?

Bom, a gente sabe que lado os países estão escolhendo, porque a gente vê se concretizar de novo, e de novo, e de novo.

Claro que não é assim que eles vendem. Eles não dizem: nosso plano pra sair da dívida é destruir os pensionistas, e a classe média, e criar um sistema de taxação oculta, e confisco, pra resgatar os bancos e resgatar a dívida do governo.

Ao invés disso, o que eles dizem é: isso vai erradicar o dinheiro negro, isso vai acabar de uma vez por todas com a corrupção, e nós vamos vencer a guerra contra o crime.

E todo mundo diz: uau, parece uma ideia maravilhosa! Bora nessa.

Essa promessa, é quase sempre embrulhada em nacionalismo populista. O grande flagelo do século 21 é o ressurgimento do nacionalismo populista.

O fascismo está aumentando. E assim como os políticos se cobrem com bandeira, eles também criam essa associação com o dinheiro nacional da bandeira, pra embrulhar o dinheiro no véu do nacionalismo, pra embrulhar as políticas de destruição de riqueza e confisco no véu do nacionalismo.

Se você discordar da ideia de que os pensionistas devem pagar pela dívida nacional e pelo resgate dos bancos, se você discorda da ideia de que uma geração inteira de jovens deve se ver permanentemente desempregada ou mal empregada, ou trabalhando em sub-empregos, então você é um traidor do ideal nacionalista de acabar com o crime, o dinheiro negro, e a corrupção.

Você provavelmente tem dinheiro negro escondido, não é mesmo? É essa sua motivação.

Esse é exatamente o tom da discussão que está acontecendo nesse exato momento – em lugares como a Turquia, em que o Erdoğan anunciou que era o dever de todos, como cidadãos turcos, de vender seus dólares, e comprar lira e ouro, a fim de engrandecer o orgulho nacional.

Onde o Modi, na Índia, usou exatamente o mesmo raciocínio, pra fazer todos sofrerem só um tiquinho. Porque as pessoas que mais sofrem não tem voz, eles são invisíveis. Especialmente na Índia.
E a própria classe média, que sofre só um tiquinho, pode se revestir com a bandeira e abraçar esses ideais nacionalistas.

Nessa guerra monetária, há uma força que se mantém neutra. Um porto seguro, como uma estratégia de saída, como uma oportunidade para as pessoas dizerem: quer saber, vá em frente, mas eu tô fora.

E isso é o Bitcoin.

O Bitcoin agora está na iminência de se tornar o porto seguro para bilhões de pessoas ao redor do mundo, que pela primeira vez terão a oportunidade de dizer: “eu já saquei pra onde vocês querem ir, eu não acredito nesse besteirol nacionalista, eu estou vendo a placa de saída, eu vou por aqui”. E saem, e se recusam a participar desses experimentos.

E isso vai mudar radicalmente a trajetória do Bitcoin, vai mudar a tecnologia do Bitcoin, vai mudar a economia do Bitcoin, porque remessas internacionais é algo que os governos conseguem aturar. Tudo bem, vamos deixar que seja mais fácil para os imigrantes pobres mandarem dinheiro pra além dos muros do país, competindo mais ou menos com os bancos até o limite que a gente permite através de regulação.

Mas essa nova proposta de que algumas pessoas vão poder pular fora desse experimento nacionalista, essa guerra monetária, não vai ser encarada com bons olhos.

Bitcoin vai representar, em muitos desses países, uma afronta direta à soberania. E quando soberanos vêem uma ameaça direta ao seu domínio, às suas decisões, não importa quão arbitrárias, caprichosas e unilaterais sejam, não importa quão despreocupadas com o consentimento dos governados elas sejam, eles aplicarão a totalidade da força de que dispõem, a fim de neutralizar aquela ameaça.

Eles vão fracassar.

Mas não vai ser fácil.

Quando essas coisas começam a acontecer, o equilíbrio entre moedas muda. Já começamos a ver isso. Se você quiser comprar Bitcoin na Índia hoje, prepare-se para pagar mais de $1.000 dólares. O prêmio sobre o Bitcoin subiu ao ponto de atingir um prêmio de 22% contra o preço do Bitcoin em qualquer outro mercado. Não dá pra fazer arbitragem sobre essa diferença facilmente, porque não há um fluxo suficientemente grande pro país pra contrabalançar a corrida louca para as saídas que está acontecendo.

O yuan chinês se desvalorizou seis vezes, até agora, em 2016. E toda vez que o yuan chinês se desvalorizou, o valor do Bitcoin subiu em torno de um bilhão de dólares, na medida que milhões de chineses procuraram a saída.

Toda vez que isso acontece, um prêmio é pago. Mas aqui está a boa notícia: adivinha quem ganha esse prêmio? Aqueles que estão dispostos a construir a sinalização para a saída e uma porta – um pequeno caminho enlameado que conduz pra fora desse experimento maluco – recebem em recompensa um prêmio de 20%. As casas de câmbio, os comerciantes do LocalBitcoins, os comerciantes off-chain, do subterrâneo, aqueles dispostos a assumir os riscos, de encarar a mão pesada do soberano, ganham um prêmio. E esse prêmio vai financiar diretamente o desenvolvimento da infraestrutura, liquidez, furtividade, descentralização, evasão, e todas as outras coisas que podem ser necessárias pra permitir que pessoas normais pulem fora da guerra cambial.

Esses experimentos vão posicionar os governos em oposição direta ao Bitcoin. Não por algo que o Bitcoin fez, mas por algo que os governos fizeram a si mesmos.

Quando eu estava crescendo, eu curtia bastante jogos de computador. E um dos meu jogos favoritos é um jogo chamado Sim City. Alguém jogou Sim City? Sim, muita gente jogou Sim City.

Uma das coisas sobre Sim City que era muito legal é que você tinha controle completo e unilateral da economia. E um dos controles que você podia ajustar era o imposto de renda. E era sempre muito tentador, certo? Porque você podia estar jogando e se seu orçamento não estivesse lá balanceado, se as coisas não estivessem indo muito do jeito que você queria no jogo e você não estivesse conseguindo construir rápido como gostaria, você podia aumentar o imposto de renda de 5 pra 6%, e podia aumentar de 6 pra 7%.

Havia consequências, é lógico. E então uma das formas pela qual você aprendia essas consequências é quando você ia longe demais. Então você aumentava de 5 pra 15%, e você enchia seus cofres, porque o rios de imposto de renda fluíam pra você, e você assistia sua população evaporar, enquanto todo mundo abandonava sua cidade.

Esse tipo de jogo tem um nome. São chamados de jogos de Deus. E a razão por que são tão divertidos de se jogar, é que eles te permitem brincar de Deus sobre uma população indefesa.

Olha outro recurso que você podia ter num jogo. Você podia construir sua cidade inteira, e então você podia enviar um tornado, um terremoto, um incêndio gigante, um tsunami, ou até um ataque do Godzilla na sua cidade.

E adivinha? Nenhum desses ataques eram tão eficazes em drenar sua cidade quanto aumentar o maldito imposto de renda.

Essas guerras monetárias são guerras contra a população. Elas são uma forma de guerra civil do governo contra seu próprio povo. Elas destroem gerações. Estima-se que, já nos primeiros dias, na Índia, centenas de pessoas morreram porque não podiam acessar dinheiro para tratamentos médicos, porque eles tinham que esperar em fila, pessoas debilitadas, deficientes, idosos, numa fila, por seis horas, pra pode sacar $30 dólares, se é que tinham esse tanto.

Centenas de pessoas morreram nos primeiros dias. Milhares de pessoas vão morrer, apenas nas próximas semanas, enquanto esse experimento se desdobra. E isso se repete: dezenas de milhares de pessoas morreram na Venezuela, por culpa de controles monetários, por causa da destruição do sistema monetário. Isso é o que acontece quando governos decidem que a maneira de lutar uma guerra comercial é usar o próprio combustível da economia, a coisa da qual as pessoas dependem pra construir um futuro pra si mesmas, como uma arma contra outro governo, e o tiro dessa arma sai pela culatra, e mata seu próprio povo.

Eles vão te dizer que o que estamos fazendo, ao encorajar as pessoas a usarem Bitcoin, é que somos traidores da nação, que somos criminosos, somos marginais, somos traficantes de drogas e terroristas.

Não acredita em mim? Procure o que o governo indiano disse nas últimas duas semanas sobre pessoas que comercializam ouro no mercado negro: terroristas, criminosos, marginais.

Eu sou só um programador, só um palestrante. Não sou um terrorista, não sou um marginal. Mas se eu tiver a oportunidade de construir uma saída desse sistema, eu vou aproveitar essa oportunidade, porque eu sei quem são os verdadeiros terroristas. E não há forma pior de terrorismo que criar guerra contra seu próprio povo, causando ruptura na própria força vital da economia deliberadamente, quando não há crise, criando um desastre natural de proporções enormes, simplesmente pra travar uma guerra monetária contra outro país.

Quem se beneficia, no fim das contas? Os bancos!

Eles são resgatados. Seus balancetes, na Índia, estão disparados. Suas ações, disparadas. O governo? Aumentos enormes na receita. E isso pára a corrupção? Não. Foi combustível para uma absoluta orgia de corrupção que até para a Índia é sem precedentes, da mesma maneira que alimentou uma orgia de corrupção em Chipre, na Grécia, Venezuela, Argentina e Ucrânia.

Quando Modi anunciou que a moeda não seria mais válida dentro de 4 horas, ele também anunciou que os bancos estariam fechados por dois dias – a fim de prevenir que as pessoas iniciassem uma corrida aos bancos.

Quando os bancos abriram, dois dias depois, milagrosamente, uma proporção significativa das reservas de dinheiro que eles possuíam estavam apenas nas notas ruins.

De alguma maneira, algumas pessoas tiveram acesso a esses cofres, e trocaram seu dinheiro enquanto os bancos estavam fechados, aos bilhões de dólares.

De alguma maneira.

Se você estudou economia, um dos aspectos fascinantes em economia é a Lei de Gresham. E a Lei de Gresham diz que dinheiro ruim precede o dinheiro bom na economia. Quando eu li isso, enquanto estudava economia apenas como um hobby, eu não entendi de verdade a Lei de Gresham, e felizmente eu nunca havia visto a Lei de Gresham em ação. Estamos vendo a Lei de Gresham se manifestar, exatamente como previsto, em ação, hoje.

Quando uma pessoa na Índia vai a um caixa automático, quando um venezuelano consegue dinheiro, quando um zimbabuense põe as mãos em dólares americanos, o que eles fazem com esse dinheiro? Eles gastam? Não, de jeito nenhum. Eles o enterram. Eles colocam embaixo do colchão. Eles o escondem, eles o economizam. Porque esse é o dinheiro bom, e ele imediatamente sai da economia. E eles pegam cada cédula fajuta que eles têm, cada nota de trilhão de dólares zimbabuenses, cada bolívar venezuelano que não vale porcaria nenhuma – e são carregados com carrinho de mão e pesados na balança, porque ninguém tem tempo de contá-los -, cada nota de quinhentas rúpias que agora não vale nada, e eles vão para seus funcionários, e seus dependentes, e seus empregados domésticos, e faxineiros, e pessoas que são desprivilegiadas na economia, e dizem: esse é o dinheiro com que vou te pagar agora. Aqui estão seis meses de salário adiantado. É pegar ou largar. Ou você está demitido, a escolha é sua. E eles despejam o dinheiro ruim sobre as pessoas que então têm que ir gastar seis horas numa fila pra trocá-lo, e pra serem questionados sobre como conseguiram esse dinheiro pelo oficial malvado do fisco, a caricatura do funcionário público.

E adivinha com o quê eles pagam as propinas dos funcionários públicos? O mesmo dinheiro ruim. Então o dinheiro ruim é o único que está circulando, e o dinheiro bom desaparece completamente da economia.

E quando eles obtiverem Bitcoin, eles vão hodlar. Eles vão enterrá-lo tão fundo, pra ter certeza que eles têm o bom dinheiro poupado para suas crianças, para o seu futuro, e eles vão trocar o dinheiro ruim por Bitcoin, e hoje em dia, todo dinheiro é dinheiro ruim.

É praí que estamos indo. Dinheiro em espécie está sendo erradicado do mundo como um flagelo. Mas eles não podem ganhar esse jogo, porque dinheiro em espécie é algo que nós podemos criar. Dinheiro em espécie eletrônico. Dinheiro em espécie auto-soberano. Dinheiro em espécie verificável. Dinheiro em espécie digital. Dinheiro em espécie pessoa a pessoa. Bitcoin.

Lembre-se de como isso vai mudar a trajetória da instalação do Bitcoin nos próximos dois anos. Vai ser em oposição direta a essa guerra monetária. E vai ser diretamente financiado pela guerra monetária.

As guerras monetárias vão financiar investimentos em infraestrutura e melhorias no Bitcoin de maneira a gradualmente pegar aquela pequena sinalização de saída e aquela estradinha esburacada atrás dela, e ao longo dos próximos dois anos, enquanto as guerras monetárias se agravam, e se agravam, e se agravam, e elas vão, e elas precisam, à medida que falham e tentam novamente, nós vamos alargar aquela estrada esburacada, até que eventualmente, nós estaremos oferecendo a todas as economias uma rodovia de oito pistas Autobahn de saída da maldita guerra monetária deles, pra qualquer um poder pegar.

Não vai estar disponível pra todo mundo a princípio. Apenas para os mais ricos. Os mais educados, os privilegiados, aqueles que possuem acesso a essas aplicações.

Mas em algum ponto eles vão trazer algumas outras pessoas com eles, e gradualmente eles vão financiar a infraestrutura que vai permitir mais e mais pessoas saltar fora dessas economias.

Então lembre-se que, enquanto isso acontece, nós vamos ser chamados de criminosos por oferecer uma saída. Em seguida vamos ser chamados de criminosos por apontar para a saída. Então vamos ser chamados de criminosos por apenas apontar para o fato de que a economia está em chamas, e que existe uma saída. E em cada estágio de agravamento das guerras monetárias, cada ato que você tomar em oposição ao fato observável de que a economia inteira está em chamas, toda chance que você der às pessoas de se dirigirem às saídas, você será o criminoso.

E não vai demorar pra eles reescreverem a história. Eles vão reescrever a história pra dizer que a razão pela qual os bancos estão falindo, e a razão por que a economia está em chamas, é porquê você forneceu uma saída. É porque o Bitcoin existe.

Eles dirão que o Bitcoin começou o fogo.

E nesse ponto, todos vocês devem repetir e se lembrar o slogan que vai ser importante: nós não somos criminosos. Nós estamos oferecendo uma saída pra todo mundo.

Nós não começamos o incêndio. Ele sempre esteve ardendo, desde que o mundo gira.

Obrigado.

Assista ao vídeo original:

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A Pamela Morgan aproveitou o ensejo do hack da Bitfinex para jogar luz sobre um recurso poderoso, porém mal compreendido do Bitcoin: a multiassinatura, e faz uma análise sob a ótica da segurança.

Multisig

“Como é que a multiassinatura falhou? Por que as pessoas perderam dinheiro? Pensei que multiassinatura era segura.” Depois do Hack da Bitfinex, ficou evidente que as pessoas não compreendem realmente o recurso de multiassinatura (multisig) do Bitcoin. Parece que há muita confusão sobre o que a multiassinatura é e o que não é, o que inerentemente faz ou não faz. Este artigo tem por objetivo esclarecer os equívocos mais comuns, explicar como a multiassinatura de fato funciona hoje, e por quê políticas de controle não substituem segurança organizacional, e o que você pode fazer para se proteger.

Multiassinatura é uma ferramenta. Assim como qualquer outra ferramenta, ela pode ser utilizada para atingir uma variedade de resultados diferentes. Essa ferramenta pode ser usada para distribuir e diluir o risco de comprometimento ou perda de chaves, para redundância como um backup, e para criar contas conjuntas em que cada parte pode gastar de um fundo compartilhado, ou para separar papéis dentro de uma organização.

Multiassinatura não é um plano de segurança. Ela pode ser um componente poderoso de um plano de segurança bem projetado, mas sempre será um mero componente. Dizer apenas “multiassinatura” sem explorar a implementação, como está sendo empregada, e quais objetivos se procura atingir, não tem sentido. Não é um feitiço de segurança, embora tudo ficaria tão mais fácil se o fosse.

Pra que possamos compreender o que ela faz e o que não faz, precisamos entender um pouco sobre como ela funciona. Não se preocupe se você não for da área de tecnologia, este texto não foi escrito pra eles— foi escrito para todos os demais. ¹

Criando um endereço multiassinatura. Para criar um endereço multiassinatura, você simplesmente precisa de mais de uma chave pública. Vamos a um exemplo. Alice, Bob e Charlie são os organizadores de um encontro local aberto sobre bitcoin. Eles querem angariar fundos para bancar o encontro mas não querem que nenhum deles, isoladamente, controle os fundos. Então eles criam um endereço multiassinatura, usando o software CoPay, que lhes permite escolher uma configuração 2-de-3, o que significa que dois dos três precisam autorizar uma transação para que ela seja válida. Neste caso, as combinações de assinatura possíveis podem ser A&B, B&C, A&C.

O que realmente está acontecendo por trás dos panos? O software deles está construindo duas coisas: um script que contém as instruções de quantas assinaturas são exigidas e quais chaves públicas correspondem às chaves privadas que estão autorizadas a assinar (m-de-n), e um hash que é o endereço bitcoin começando com o número 3, derivado a partir do script. O script é comumente chamado de “script de resgate” pois contém os requisitos para resgatar ou gastar pagamentos a partir do endereço multiassinatura. ²

Você pode pensar no script de resgate como um conjunto de controles de acesso permanentes e imutáveis. Esses controles de acesso limitado estão embutidos no próprio endereço bitcoin. O que significa que quando são enviados fundos para este endereço, o script de resgate deve ser satisfeito pra que haja movimentação de fundos. As regras são estabelecidas quando o endereço é criado e nunca podem ser modificadas. As regras são, literalmente, parte do próprio endereço. Este é um dos aspectos mais poderosos da multiassinatura, e é por isso que muitos a consideram mais segura que um endereço bitcoin tradicional de assinatura única. Quando a multiassinatura é usada como parte de um plano geral de segurança, ela pode fornecer proteção adicional contra desvios, erros, perdas, fraude, ponto único de falha, por requerir que múltiplas partes ou múltiplos dispositivos (multiassinatura multi-fator) aprovem uma transação.

Mas perceba o que ela não faz.

Não há limites de gasto; você pode sacar todos os fundos com uma única transação propriamente assinada.

Não há limites temporais; você pode sacar fundos imediatamente com uma transação propriamente assinada.

Não há limites de transação diários; você pode criar milhares de transações por minuto.

Não há notificações; você não vai receber um e-mail ou mensagem de texto quando os fundos forem gastos.

Políticas de controle não são parte inerente da multiassinatura hoje. A essa altura você pode estar confuso pois muitas carteiras fornecem esse tipo de serviços adicionais. Eles são anunciados como medidas de segurança adicionais, como controles adicionais. O que não deixam muito claro é que esses serviços são implementados pelo software da empresa e políticas internas—não pelo protocolo bitcoin. Isso é importante porque significa que esses controles podem ser contornados, os limites podem ser modificados. Enquanto a linguagem de scripting do Bitcoin continua a evoluir, e algumas políticas de controles baseadas no protocolo, como lock-time, estão disponíveis, elas ainda não foram amplamente implementadas.

Pra levar pra casa: as políticas de controle atuais não são tão seguras quanto parecem. De fato, elas são apenas tão seguras quanto o sistema controlando as mudanças na política. Infelizmente, isso é menos seguro do que a maioria das pessoas pensa.

Às vezes portadores de chaves automatizam a assinatura, com base em políticas de controle. Muitas carteiras multiassinatura (mas não todas) agora incluem assinatura automática de transações com base em políticas de controle como um recurso de suas carteiras. Nessas implementações, a empresa da carteira controla uma das chaves usadas para criar um endereço multiassinatura. Essa chave, e suas funções de assinatura associadas, são controladas pelo software escrito pela empresa—o software é comumente chamado de oráculo de assinatura, ou simplesmente oráculo. No momento em que o endereço é criado, além das chaves públicas, a empresa da carteira coleta as políticas de controle definidas pelo usuário. Por exemplo, um usuário pode estabelecer um limite diário máximo de $1.000,00 USD para saques. O endereço é criado e os parâmetros de assinatura para o oráculo são definidos.

O processo de assinatura normalmente se dá da seguinte maneira—o usuário cria uma transação (por exemplo, pra $500,00 USD), a assina, e a envia para o provedor da carteira para contra-assinatura. O oráculo vê a transação, checa as políticas de controle (aqui os $500 são menos que $1.000), contra-assina e divulga a transação para a rede bitcoin. Rápido, conveniente, eficiente. Seguro? Talvez. Talvez não. Talvez aparente ser mais seguro do que realmente é.

Segurança depende de vários fatores— não apenas de quantas chaves são requeridas para assinar uma transação. Depende de processos e políticas que definem as políticas de controle: Quem pode mudar os limites de gasto? Limites temporais? Notificações? Quando eles podem ser modificados? Há um período de esfriamento depois que eles são modificados em que nenhuma transação será assinada? Também depende da segurança interna da empres: Quem tem acesso ao oráculo ou as chaves de assinatura? Onde estão os backups e quem tem acesso a eles? Quem escreve o software do oráculo, e ele é de código aberto? Estes são apenas alguns exemplos de preocupações de segurança que não são tratados pela multiassinatura. Esta significa que mais de uma chave foi usada para criar o endereço. Nada mais. Não é um eufemismo pra segurança. Sozinha, não é suficiente para manter nossos fundos em segurança.

Segurança não pode ser terceirizada. Como indústria, precisamos parar de confundir  a terceirização de chaves de assinatura com a terceirização da segurança.

O simples fato de delegar a um terceiro as chaves de assinatura e controles do processo não vai proteger você ou seus clientes de roubo. Nós precisamos de padrões de segurança “opt-in“, como CCSS, e auditorias de segurança anuais. E o mais importante, precisamos focar em compreender os riscos e explicá-los aos usuários.

Por último, lembre-se sempre: “Não são suas chaves, não é seu dinheiro.”

Notas de rodapé: 1. Se você está lendo este artigo, eu presumo que você compreenda o básico sobre bitcoin. Bitcoin baseia sua segurança em criptografia de chaves públicas, veja https://en.wikipedia.org/wiki/Public-key_cryptography. 2. Tecnicamente, esse recurso é chamado P2SH ou pay-to-script-hash (pague para o hash do script), e não multiassinatura. Contudo, uma das implementações mais comuns do P2SH é conseguir multiassinatura e o termo multiassinatura (multisig) se tornou amplamente usado para fazer referência a essa implementação específica do P2SH.

Educadora. Empreendedora. Advogada. Inspirada por empoderar outros. Acredita em justiça social, liberdade, e sorrir para estranhos.

Texto original em inglês: https://medium.com/@pamelawjd/bitcoin-security-is-more-than-multisig-1b55768582f3#.x2giewscy

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Bitcoin Coins

Há milhares de anos, o ouro tem sido usado como reserva de valor, como uma forma de preservar
riqueza no tempo e no espaço. Preponderou como a moeda corrente mundial por excelência durante milênios. Nos dois últimos séculos, foi o padrão monetário ao redor do qual todas as demais moedas nacionais gravitavam.

Contudo, com o fim de Bretton Woods, em 1971, o sistema monetário global rompeu com o último vínculo ao ouro. E, desde então, o vil metal não tem desempenhado praticamente nenhum papel monetário.

Apesar disso, o ativo segue sendo procurado como proteção em momentos de turbulência, um investimento no qual o mercado se refugia em tempos de crise, um porto seguro num mar revolto.

E o metal precioso brilha especialmente no momento atual, nesta era das políticas monetárias não convencionais e sem precedentes. Pois, quando bancos centrais de países desenvolvidos prometem injeções maciças de liquidez, desvalorizando suas moedas, os investidores naturalmente buscam um ativo que não pode ser inflacionado por ninguém, um ativo seguro capaz de preservar valor ao longo do tempo.

Mas, inesperadamente, para a surpresa de todos e a despeito do ceticismo generalizado, eis que surge um novo ativo pretendente a status de porto seguro: o bitcoin, o ouro digital do século XXI.

Assim como o metal milenar, o bitcoin não é passivo de ninguém. Tem oferta limitada e inviolável, uma escassez autêntica – algo inédito no mundo digital. Não pode ser inflacionado por nenhum governo ou banco, bem como o ouro.

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As semelhanças, porém, acabam por aí. Porque, ao contrário do metal, o bitcoin é incorpóreo. É digital. Não pesa nada. É plenamente transportável e transferível para qualquer lugar do planeta.

Diferentemente do ouro, não é preciso cargueiros ou bancos para realizar pagamentos em longas distâncias; o Bitcoin é simultaneamente uma moeda digital e um sistema de pagamentos.

A divisibilidade do bitcoin é perfeita e infinita; já o metal, apesar de maleável, enfrenta os limites insuperáveis da física. Além disso, é desnecessário verificar a autenticidade de um bitcoin. Um bitcoin é um bitcoin e ponto. Estando devidamente registrado no blockchain, uma unidade de bitcoin é infalsificável. Basta acessar e comprovar. Fenômeno similar não ocorre com o ouro, cuja pureza e peso devem ser verificados com precisão.

A grande vantagem do bitcoin em relação ao ouro – para usar o economês – está na enorme redução dos chamados custos de transação, pois ele prescinde de diversos intermediários. Entendendo as características e distinções entre o ativo milenar e o digital, fica claro por que o bitcoin tem comparativamente custos de transação tão mais reduzidos.

Mas essas propriedades, por si só, fazem do bitcoin um ativo de proteção, um porto seguro?

Se fizéssemos essa indagação em 2009, ano do surgimento do Bitcoin, a resposta seria um redundante não. Afinal de contas, quando do início do sistema, um bitcoin valia exatamente zero. Nada. Não havia nenhum preço de mercado. À época, qualquer investidor sensato rejeitaria a noção da moeda digital baseada em criptografia como ativo de proteção.

Mas aos poucos a invenção revolucionária de Satoshi Nakamoto – o criador misterioso e até hoje desconhecido – foi ganhando adeptos, entusiastas, usuários, visionários e especuladores. De zero, um bitcoin passou a valer frações de centavos de dólar, alcançado, em 2011, a paridade de US$ 1. Naqueles tempos, o ativo era absolutamente ilíquido. Não havia negócios diários, eram poucos usuários e não havia mercados organizados para conectar compradores e vendedores.

Hoje, sete após a invenção do “sistema de dinheiro eletrônico peer-to-peer”, uma unidade da criptomoeda é negociada por cerca de US$ 650 e conta com mais de US$ 1,5 bilhão de volume diário de transações nas bolsas de bitcoin mundiais. Comparativamente, o volume diário mundial do ouro está na casa dos US$ 20 bilhões, segundo a London Bullion Market Association. Frente ao metal, o volume da moeda digital ainda é baixo, mas está longe de ser desprezível e vem crescendo rapidamente.

É no mercado nacional, contudo, que o bitcoin tem surpreendido. Nos primeiros seis meses de 2016, o volume de negócios realizados nas bolsas brasileiras superou o volume de negociação do ouro na BM&F. Os ativos OZ1D e OZ2D (lote de 250 g e de 10 g, respectivamente) registraram cerca de R$ 151 milhões em negócios, enquanto o volume nas bolsas de bitcoin ultrapassou R$ 164 milhões, um recorde para esse mercado ainda incipiente. Considerando apenas o mês de junho, o mercado de bitcoins apresentou um volume duas vezes maior que o de ouro. Uma marca histórica para um ativo inédito, ainda incompreendido por muitos.

Por que esse mercado segue crescendo no Brasil e no mundo? Por que investidores têm alocado capital nesse ativo apesar da volatilidade relativa? Porque simplesmente é um ativo inédito, único e com propriedades intrínsecas extraordinárias, capazes de fazer do bitcoin um genuíno ativo de proteção.

Especialmente quando levamos em conta as anomalias e os excessos do sistema financeiro vigente, o bitcoin sobressai-se por ser naturalmente blindado contra a discricionariedade dos bancos centrais e do poder coercitivo dos governos. Será que não tem valor um ativo imune a juros negativos, confiscos e inflacionismos de todo tipo? Será que não há utilidade em uma criptomoeda capaz de viajar o mundo instantaneamente, ignorando fronteiras artificiais, e sem depender de nenhum terceiro de confiança? Cada vez mais investidores vislumbram que a resposta a essas perguntas é um inequívoco sim.

Mas estaria o bitcoin apto a suplantar o ouro como ativo de proteção, sendo encarado comoo verdadeiro refúgio dos investidores em momentos de crise? Potencial para tanto, parece ter. O metal precioso, porém, ainda conta com dois atributos quase intransponíveis: o track record e a maior estabilidade de valor. Para ambos os obstáculos, a solução para o bitcoin é a mesma: tempo.

por Fernando Ulrich para o blog Moeda na era digital
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